sexta-feira, 1 de junho de 2018

Mamadou Gassama


O Mamadou Gassama é uma das 62.219 pessoas refugiadas que chegaram à Europa pelo Mar Mediterrâneo em 2017, das quais 1.689 estão mortas ou desaparecidas, de acordo com a IOM  (Organização Internacional para as Migrações). 
Mamadou fugiu de Mali, um país que sofre uma guerra civil há 6 anos e tem constantes ataques violentos de grupos armados.

Mamadou, fugindo, procurando refúgio, passou por Burkina Faso, país vizinho onde há 53.512 pessoas no campo de refugiados de Mberra e que somente nas últimas semanas, cerca de 3.000 pessoas fugiram pra lá, de acordo com a UNHCR.

Mamadou queria ir à Europa, encontrar refúgio, continuando a sua viagem passou também por Níger, outro país vizinho, onde as pessoas migrantes e refugiadas morrem de sede no deserto, são quase todas subsaarianas ansiosas por chegar à Europa, expulsas e extorquidas pelas máfias, que as deixam na estrada, no meio do nada, perdidas e sendo engolidas pela areia quente do Saara.

Mamadou queria chegar à Europa dos sonhos, mas tinha que passar pela Líbia, o país inferno para as pessoas refugiadas, e pior ainda depois que a União Europeia fez um pacto com a Turquia para acabar com o trânsito do refúgio em 2016 e conseguiu deslocar o caminho para a perigosa rota do Mediterrâneo central; rota na qual morreram e desapareceram 15.000 pessoas nos últimos 4 anos, segundo Médicos Sem Fronteira.
Na Líbia, as máfias tatuam números na pele das pessoas refugiadas, são escravas. As pessoas que querem embarcar da Líbia para a Itália passam por situações terríveis nas mãos das máfias. Quando são encontradas no mar, passam por torturas, abusos, sequestros, são vendidas nas praças públicas como escravas, e quase todas as mulheres que passaram pelo país, com destino à Europa, relatam ter sido estupradas.

Mamadou continuou a sua viagem, da Líbia foi para a Itália num barco, que seguramente triplicava o número normal de pessoas à bordo, e que foi perseguido pela Guarda Costeira da Líbia. Ele não sabe, mas a prioridade da Itália e de toda a União Europeia não é resgatá-lo, senão interceptar o seu barco e devolver todas as pessoas refugiadas à Líbia novamente, e para tal, utilizam a força dos barcos da Guarda Líbia para impedir, em pleno mar, a viagem das refugiadas. O Mamadou tampouco sabe que quando a Guarda Costeira Líbia encontra um barco de refugiadas à deriva, aproxima-se e exige que subam à bordo do seu navio, muitas vezes batem nas pessoas refugiadas com as grossas cordas do navio, jogam as refugiadas escada abaixo quando estão tentando subir à bordo (foi tudo gravado por uma ONG). 

Mamadou nem imagina que a União Europeia externaliza a sua política migratória e paga à Líbia e ao Marrocos para que façam esse trabalho sujo, para que ponham freio à entrada de pessoas refugiadas na Europa. A hipocrisia colonial sempre quis "tomar as rédeas" para "salvar" a África dos males que eles mesmos, os europeus, criaram. Neste sentido, nos últimos anos, a França interveio na Costa do Marfim, na República Centro-Africana, no Chade, no Djibuti, na Líbia, no Sudão, na Tunísia, no Egito e no Mali, este último, o país onde nasceu o Mamadou.

Mamadou conseguiu chegar à França e foi à Paris dos seus sonhos, mas caminhando pela cidade topou com a "calçada da vergonha", vários campos improvisados de pessoas refugiadas, na calçada, bem na frente da France Terre, umas das ONG que gerencia a acolhida de refugiadas (PADA). Centenas de pessoas da Somália, Eritreia, Etiópia, Sudão, Guiné, Chade, Burkina Faso, Líbia, Mali ... dormindo no chão, ao relento, durante muitos dias, até poder entrar no local para ter algum tipo de ajuda.

Mamadou não sabe que pode ser preso e deportado na União Europeia e pensa “Eu não sou um criminoso, não vão me tratar mal nem me prender!”, mas o que ele pode esperar de um dos principais países responsáveis pelos bombardeios na Síria, no Iêmen e em tantas outras regiões? O que ele pode esperar de um Estado que fumiga campos de refugiados (Calais), denega milhares de petições de asilo e proteção internacional nas suas fronteiras terrestres, que deixa crianças e grávidas refugiadas ao relento, que tem uma das políticas migratórias mais restritas da Europa?

Mamadou e todas as pessoas migrantes são heróis e heroínas por manter-se vivos após uma longa e terrível viagem, pulando cercas de 8m com arame farpado, cabos elétricos, mordidas de cães, cassetetes de policiais, prisões frias e sujas, sem ter papéis de residência ou nacionalidade, sofrendo violências físicas e psicológicas, privações de todo tipo e violações de direitos básicos, que sofrem diariamente na Europa. São heróis e heroínas, obrigados a ganhar a vida clandestinamente como vendedores ambulantes, empregadas domésticas, pedreiros, peões, babás, ... que tentam sobrevier nessa Europa onde cada dia cresce ranço racista, xenófobo e fascista.

Mamadou Gassama não precisa de que um senhor branco europeu lhe conceda uma medalha de herói por ter salvo uma criança. Ele já era um herói. 

HIPOCRISIA 

A França acaba de aprovar uma das mais rígidas leis dos últimos anos.
A nova lei de asilo e imigração do Executivo de Emmanuel Macron é um texto que certamente complicará a vida das pessoas refugiadas que procuram asilo, uma lei que endurece, ainda mais, a atual política migratória francesa.
O novo texto legal traz novidades desumanizantes, como por exemplo aumentar de 45 a 90 dias o período de prisão de imigrantes nos Centros Administrativos de Detenção (CRA), inclusive há a possibilidade de que crianças também sejam privadas de liberdade; reduzir de 120 para 90 dias o prazo para apresentar o pedido de asilo; reduzir de 11 para 6 meses o período de instrução e recurso dos processos, com o objetivo de acelerar a expulsão dos imigrantes; reforçar o “crime de solidariedade”, que julgará e multará à cidadania que ajude as pessoas imigrantes e/ou refugiadas; aumentar de 16 para 24 horas o período de retenção administrativa para verificar se uma pessoa tem uma autorização de residência na França; e outras mumunhas mais.

Ninguém é ilegal!

P.S.: o nome do Mamadou Gassama foi repetido diversas vezes no texto a propósito, porque a mídia em geral não o fez. 

segunda-feira, 23 de março de 2015

"Brasil: Expresión del 1% de la población: ¿advertencia, peligro o chantaje?

Por Theotonio dos Santos

Dos millones de personas, según O Globo, lo que sin duda es una información inflada, salieron a las calles en todo el país el 15 de marzo.  Esta manifestación fue convocada ampliamente a través de medios de comunicación social con el apoyo de toda la prensa conservadora de Brasil y del mundo, además de los partidos de oposición y las facciones de algunos partidos de la base del gobierno.

Pocos se han dedicado a ubicar perfectamente a los autores de esta convocatoria y aún quedan algunas preguntas al respecto.  También ha sido muy difícil saber exactamente cuáles son las consignas de la manifestación, ya que se presentaron con diferentes e incluso propuestas opuestas, además de un fuerte ejercicio de odio con insultos racistas, sexistas y amenazas fascistas.

Podemos hacer un primer ejercicio para entender quiénes son los organizadores de este evento, pues es difícil creer que una movilización masiva programada en un período tan grande y con fuertes apoyos se haya llevado a cabo de una manera absolutamente espontánea.  Es cierto que ningún sector responsable políticamente quiso comprometerse con la convocatoria y sus consignas.  Fernando Henrique Cardoso, por ejemplo, hizo declaraciones la víspera de la manifestación oponiéndose claramente a la idea de un juicio político.  Aecio Neves, candidato presidencial de la oposición y presidente del PSDB, dice apoyar el movimiento, pero no participar para no ser acusado de proponer un tercer turno.

Informaciones de Estados Unidos indican que la visita del vicepresidente Joe Biden es siempre una señal para el inicio de movilización de masas apoyadas en las técnicas de la "guerra psicológica", dirigidas por la CIA y, en este caso, apoyadas por sectores del Departamento de Estado (Ministerio de Relaciones Exteriores de Estados Unidos).

También hay informes de que uno de los principales grupos que convocaron a la manifestación, el Movimiento Brasil Libre , recibe ayuda - entre otras fuentes – de la Atlas Economic Research Foundation de los hermanos Koch (ver:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015 /03/quem-financia-os-meninos-do-golpe.html).

Como una extensión de Movimiento Brasil Libre,  participan también de la convocatoria los "Estudiantes por la Libertad", también financiados por los mismos hermanos Koch, con la finalidad específica de convencer a los jóvenes de los ideales ultraliberales que son presentados como una garantía económica de sus carreras profesionales.

Grupos de "blogueros" menos articulados como el "Vem Pra Rua" y el "Revoltados Online" también participan en la convocatoria a través de consignas mal articuladas e inconsistentes, reduciendo su actuación a un campo más emocional que político.

Luego están también los grupos partidarios explícitamente del juicio político como instrumento del golpe de Estado.  Hay varios intentos de los medios de comunicación para aislar estos grupos dificultando su identificación clara.

Como puede verse, se trata de una convocatoria aparentemente espontánea, pero en realidad es bastante clara la fuente principal de la misma.  El diario O Globo destaca la presencia de banderas verdes y amarillas en el movimiento, pero si vemos el sector predominante de la convocatoria sería más apropiado llevar la bandera de Estados Unidos como, por ejemplo, lo hicieron varios manifestantes (ver la foto que abre este artículo).  Nadie puede pensar que las ayudas económicas de este tipo tengan un carácter solidario.  La ofensiva que EE.UU. está haciendo en el mundo entero en la actualidad ha pasado por convocatorias similares que no dieron ningún resultado histórico positivo hasta ahora. 

El último caso que se puede ver es el de Venezuela.  No sólo se aplica en ese país las técnicas de "guerra psicológica", sino también las de la "guerra económica" con el apoyo de una red de comunicación de los principales medios de la región.  En los últimos años, EE.UU. ha desarrollado una tecnología de explotación de petróleo y gas, el "fracking", que le permite amenazar con la disminución de sus importaciones de petróleo buscando la caída de su precio en el mercado mundial.

Sin embargo, esta tecnología constituye uno de los más graves atentados al medio ambiente en el mundo contemporáneo, pues introduce grandes cantidades de ácido en las aguas subterráneas causando graves consecuencias a una de las riquezas naturales más raras del mundo: el agua.  Esta táctica, sin embargo, apunta a la caída de las economías no sólo de Venezuela sino de Irán, Rusia e incluso Brasil.  Si alguien tiene alguna duda de esto, vea las campañas impulsadas por EE.UU. en los últimos meses y años, incluso amenazando con una guerra mundial contra Rusia.  En Brasil, EE.UU. no logró ninguna participación en la exploración del pre-sal y, en el caso de Venezuela,  EE.UU. no sólo está excluido de las enormes reservas del valle del Orinoco, sino que se convierte en un enemigo abierto a través de su profunda implicación en favor de la violenta oposición al Gobierno del Partido Socialista Unido de Venezuela.  La oposición está marcada por los intentos de golpe de Estado en 2002 y varias otras tácticas, incluyendo la de negar la victoria del presidente Maduro en las últimas elecciones.

Frecuentemente las denuncias sobre las estrategias de los Estados Unidos son atribuidas a una teoría conspirativa de la historia, pero sólo no ve estas políticas y estos objetivos estratégicos el conocido personaje: el peor ciego, es el que no quiere ver.

Cuando un país decreta que está siendo amenazado en su seguridad por otro país no hay duda de que pretende dar un contenido militar a las relaciones mutuas entre ellos.  Esta pretensión de estar amenazado en su seguridad por parte de Venezuela es más ridícula que la afirmación de que el Gobierno de Irak tenía armas terribles capaces de amenazar a EE.UU.  Se ha demostrado que no existían.  También vimos a EE.UU. invadir a Irak para responder a una acción de sabotaje realizado en los EE.UU. que derrumbó las Torres Gemelas, cuando era más que demostrado que la gran mayoría de los que participaron en estos ataques eran ciudadanos de Arabia Saudita.  Más grave aún era el hecho de que estos "agentes terroristas" estaban dirigidos por un miembro de la nobleza que gobierna ese país.  Por cierto, no exactamente a través de un régimen democrático.

La respuesta a una acusación tan extravagante, tan despectiva y tan prepotente como la del decreto de Obama ha sido contundente.  Rusia, China y toda América Latina en solidarizan con Venezuela.  Seguramente, la gran mayoría de las Naciones Unidas confirmará esa oposición al decreto de EE.UU.

Es muy importante  resaltar  la declaración de Unasur que reúne a todos los países de América del Sur, inclusive a los aliados más o menos declarados de EE.UU.  En la reunión del Consejo de Ministros de Relaciones Exteriores de UNASUR no sólo se criticó el decreto ejecutivo que declara que "la situación en Venezuela es una amenaza inusual y extraordinaria a la seguridad nacional y la política exterior estadounidense", firmado el 9 de marzo por el presidente estadounidense, Barack Obama, sino también se pidió la derogatoria del mismo.  Estamos en vísperas de la Cumbre de las Américas, que reúne a todas las naciones americanas, excepto Puerto Rico, que se considera un mero estado asociado de Estados Unidos.  Cabe señalar que todos los países de la región se negaron a participar en esta Cumbre si no estaba presente la República de Cuba, lo que obligó al gobierno estadounidense a acelerar el reconocimiento de este país.

La ofensiva norteamericana ha encontrado serias limitaciones en el Medio Oriente, en la provocación en Ucrania, en la consolidación  de Irak luego de la derrota norteamericana, en Afganistán y también en la derrota en las elecciones de Brasil,  Venezuela,  Chile, Nicaragua, Bolivia, Ecuador y  el Salvador en los últimos años.  Ahora, cuando la operación del "fracking" amenaza las aguas norteamericanas, sin haber conseguido quebrar a sus enemigos, pero si quebrando empresas dentro de EE.UU., se vuelve cada vez más urgente para Obama presentar alguna victoria.  Esperemos que las ambiciones empresariales de privatizar Petrobras o al menos cambiar el esquema de reparto no sean escuchadas por importantes sectores del pueblo brasileño, mal informados, que seguramente son mayoritarios.

El gobierno brasileño tiene que entender que una política macroeconómica basada en el aumento de la tasa pagada por el Estado sobre una deuda que no fue contraída para atender alguna necesidad de nuestro pueblo, no es ciertamente una política capaz de unificar a las fuerzas más progresistas de nuestro país.  La excusa de que son necesarias estas altas tasas de interés para frenar la inflación es absoluta y radicalmente cuestionada por las principales autoridades en Economía Política del mundo.  El ajuste fiscal que la derecha está imponiendo en el gobierno popular es un error muy grave.  Durante 3 años hemos tenido un aumento en las tasas de interés acompañado de una creciente inflación.  Para mantener esta situación se plantea la excusa de que la creciente inflación obliga a aumentar las tasas de interés para frenar la inflación.  El Gobierno se ve entonces obligado a recortar el gasto, lo que incide principalmente sobre las grandes mayorías, sobre la inversión y sobre la tasa media de ganancia que está determinada, en gran medida, por la tasa de interés.

Mientras que EE.UU. reduce a cero la tasa de interés de su colosal deuda, Japón hace lo mismo y Europa la disminuye en menor medida, nuestro Banco Central pretende salvar al país de la inflación con el aumento desproporcionado de las tasas de interés.  Mientras que las principales economías del mundo temen la deflación, “nuestro Banco Central teme inflación" y, peor aún, provoca un inflación creciente.  Si persiste este enfoque económico profundamente antipopular y equivocado habrá motivos para grandes manifestaciones contra el gobierno, las que pueden ser aprovechadas por la oposición, que haría lo mismo si estuviera en el Gobierno.

Dos millones de personas son el 1% de la población brasileña.  Esto demuestra que las técnicas de "guerra psicológica", con el apoyo de todos los sistemas de comunicación del país, no pueden dominar completamente la mente y las emociones del pueblo brasileño.  Pero esto no quiere decir que una defensa equivocada de la política económica del Gobierno no creará las condiciones para esta "guerra psicológica" tenga un mayor apoyo social.  Los otros errores son menores y siempre habrá razones para que ocurran, ningún gobierno es perfecto, pero una cuestión grave que involucra a la mitad de los gastos públicos y empodera a un sector financiero inútil, no puede ser la respuesta de un gobierno popular, y mucho menos de los partidos de izquierda que tienen un compromiso con las fuerzas populares para enfrentar los desafíos articulados por el poderoso sistema de poder de la derecha mundial. 

La continuidad de las políticas sociales, la protección de Petrobras, los procesos independientes a los corruptos, tasas de interés para el desarrollo humano y sustentable, garantías de los derechos de los trabajadores,  fin de los "ajustes fiscales" para servir los pagos de intereses, la movilización de los trabajadores en torno  a los  principios y objetivos que satisfagan sus necesidades, la política de integración latinoamericana, la alianza con los BRICS, la defensa de la soberanía de las naciones oprimidas, la defensa de nuestros recursos naturales, estos son los caminos para que mucho más del 1%  salga a las calles, pero esta  vez  para defender los objetivos históricos  que llevarán  a la constitución de un gobierno popular en Brasil. (Traducción ALAI)

- Theotonio dos Santos, Premio Mundial de Economista Marxista - Wape 2013, con la colaboración de David Gomes, estudiante de Historia de la UERJ

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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

O "Día de la Hispanidad"

Oi, família,
Estou na fisioterapia e como tenho uma hora de descanso e bateria no celular, decidi dedicá-la a vocês. Começo a contar uma pequena História (com "h"):

Amanhã é o "Día de la Hispanidad",no qual se comemora o descobrimento das terras americanas e filipinas pelo Reino de Castela (naquela época ainda não existia o conceito Espanha) e da expansão da língua castelhana pelo mundo (bem, eu tenho a minha opinião sobre o fato, que é a do Galeano, a do Jared Diamond, do Ubaldo e de muitos historiadores latinoamericanos, mas não entrarei neste tema).
Infelizmente, dita comemoração foi apropriada pelo Sr. Francisco Franco e o que era uma comemoração de raíz popular e legítima,foi sendo incluida pouco a pouco no discurso da extrema direita, falangista (Falange: exército franquista), dos novos partidos xenófobos e racistas.
Súper legítimo o sentir-se espanhol, inclusive após a injeção nacionalista,consequência da seleção de futebol, do Rafa Nadal, das garotas da natação sincronizada,do basquete,do Flamenco, dos poetas do século XVI, do Unamuno, de Ortega i Gasset, dos grandes cientistas dos úlimos tempos, etc, porém existe a outra cara da moeda, que infelizmente ainda reside na memória da Europa: a saudade do nazismo.
Amanhã, dia 12 de Outubro, enquando as crianças brasileiras estiverem abrindo os presentes, comemorando o seu dia, aqui na Espanha estarão reunidos vários grupos nazistas,irão às ruas com os seus símbolos saudosistas, com a sua iconografia dos anos 30 e 40,com as suas roupas negras, e farão apologia à intolerância,à volta ao regime totalitário,à falta da Democracia, à falta da auto determinação (protegida por quase todos os códigos do mundo).
Junto a eles estarão alguns partidos políticos considerados democráticos (PP, UPN, Ciutadans, PxC, etc), quase todos com representação parlamentária, atualmente, no Congresso dos Deputados da Espanha.
Para alguém que viveu o ranço do AI5 é mais fácil perceber o ranço do franquismo, do nazismo,do salazarismo, do mussolinismo, do stalinismo...e eu me incluo, percebo este ranço aqui na Espanha, um país que infelizmente, ao contrário da Alemanha, não soube se desvencilhar corretamente daquela época nefasta. Ainda existem muitas, demasiadas pessoas que são declaramente "filhas e netas" das Ditaduras europeias do século passado, que desejam fazer un revival cada dia 12 de Outubro.
Paralelismos há entre a Espanha e a Alemanha. Nos dois paises ainda existe muita gente com saudade do "Caudillo" e do "Führer", mas este pararelismo acaba quando constatamos o respeito à memória dos milhões de vítimas, por exemplo, na Alemanha, onde foram abolidas, eliminadas absolutamente todas as recordações nazistas dos órgãos públicos (retratos, música, posters, monumentos, estátuas, nomes de espaços públicos, etc); aqui na Espanha, na semana passada, o Governo de Valencia foi obrigado judicialmente a retirar símbolos da era franquista de vários órgãos públicos (vide Rita Barberà), o Governo do Zapatero, há poucos anos, conseguiu retirar muitas estátuas do Franco das praças públicas, e fui testemunha desta época,de ver pela televisão, ao vivo, a polícia tendo que proteger os pedreiros que retiravam as estátuas, porque as pessoas saudosistas do franquismo estavam em contra a decisão do Governo e exigiam que as estátuas continuassem "embelezando" as suas cidades. Infelizmente, chegou o Governo do Rajoy (PP) e pararam de retirar o ranço franquista que ainda há espalhado por toda a Espanha. Neste sentido, a Espanha está a um ano-luz da Alemanha.
Diversas ONG pacifistas e associações de direitos humanos da UE lutam contra este passado (tão presente); uma delas é a "Unitat contra el feixisme", com sede em Londres e ramificações em todos os paises europeus, que se mobilizam quase diariamente contra os partidos que fazem apologia ao nazismo, franquismo,etc. Eu sou uma fã desta organização. Ela faz um trabalho de pedagogia incansável com os jovens, e isto é fundamental.

OBS: no dia 11 de Setembro deste ano, mais de um milhão e meio de pessoas sairam às ruas de Barcelona para pedir o direito de votar pela independência da Catalunha. Não houve uma só vitrine quebrada,ferido algum. Veremos amanhã,o saldo que deixará os senhores saudosistas! Depois eu conto.

Bem, já acabou a fisioterapia e tenho que ir para casa.
Beijos e carinho.

Anexo o aviso da "Unitat contra el Feixisme" sobre o dia de amanhã, 12 de Outubro, aqui em Barcelona,onde se concentrarão os saudosos nazistas de todas as partes da Espanha (já estão na estrada vindo de ônibus).


ADVERTENCIA: CONFIRMADA LA PRESENCIA DE FASCISTAS EN PLAÇA CATALUNYA EL 12 DE OCTUBRE

El pasado 8 de octubre, Unidad Contra el Fascismo y el Racismo emitió el siguiente comunicado:
“Peligro de presencia de fascistas en Plaça Catalunya el 12 de octubre
Se ha abierto un importante debate entorno a las relaciones de Catalunya con el Estado español, y se están convocando diversas concentraciones y manifestaciones al respecto.
Unidad Contra el Fascismo y el Racismo (UCFR) trabaja principalmente contra las amenazas de la extrema derecha, vengan de donde vengan.
En este sentido, nos preocupa el hecho de que muchos partidos declaradamente fascistas, xenófobos y racistas, así como colectivos neo-nazis,  hayan anunciado que se adhieren y que participarán en la concentración convocada para el próximo viernes 12 de octubre, a las 12h, en Plaça Catalunya.
Por tanto, desde UCFR pedimos a las entidades y partidos que convocan esta concentración que se pronuncien sobre estas adhesiones y que declaren públicamente que no habrá espacio en la protesta para organizaciones, símbolos o lemas fascistas. En caso contrario, llamamos a las personas y entidades que de otra manera habrían participado, a que se nieguen a participar en una acción que da vía libre a la extrema derecha.”
Es evidente que esta preocupación estaba justificada.
A pesar de la declaración de los convocantes, el mismo día 8 de octubre, desmarcándose de la Falange, se ve que ésta finalmente sí será bien recibida en la concentración.
Mientras, otras organizaciones fascistas han anunciado públicamente su participación, sin que los convocantes hayan dicho nada en contra. Éstas incluyen:
  • Plataforma per Catalunya, que cuenta entre sus responsables con personas condenadas por robos, agresiones racistas, e incluso atentados terroristas. Recientemente ha declarado su simpatía por el partido nazi griego, Alba Dorada.
  • MSR, un grupo que defiende las mismas ideas que las Tropas de Asalto de Hitler.
  • El centro social nazi del Clot, “Tramuntana”, inspirado en el sector más extremo del fascismo italiano —Casa Pound— implicado en asesinatos racistas.
Por este motivo, hacemos esta llamada. UCFR no entra en la cuestión nacional: las personas y entidades adheridas tienen opiniones muy diversas al respecto. Pero sí tenemos clara nuestra oposición a los fascistas. Quizás prometen comportarse y esconder sus símbolos durante un par de horas: Hitler también se ponía corbata cuando le convenía, pero esto no ayudó en absoluto a los millones de personas que murieron en el Holocausto.
No dejes espacio a los fascistas de hoy. No participes con ellos en la concentración del 12 de octubre.
Unidad Contra el Fascismo y el Racismo
Barcelona, ​​11 de octubre de 2012
Foto Nació Digital

sexta-feira, 18 de maio de 2012

As duas caras da mesma moeda

No passado dia 12 de Maio li duas notícias separadas por uns 10.000Km de distância, porém sobre o mesmo tema: a migração profissional.
A PRIMEIRA NOTÍCIA
Cariri, no Ceará, de novo sonha com o Sul
Wilson Pedrosa/AE
Com a mulher, Odair é um dos que querem deixar a cidade
O jornal Estado de São Paulo trazia na sua parte de Política: "Trabalhadores desempregados do consórcio liderado pela construtora Delta voltaram a entrar em ônibus clandestinos para se aventurar nos canaviais dos Estados de São Paulo e Minas Gerais...Os micro-ônibus passam à noite na praça da cidade para recolher até 30 trabalhadores da cana e fazem viagens que chegam a durar três dias...Geraldo diz que, nesta safra, a família só conseguiu colher três sacos de feijão. No ano passado, foram colhidos dez sacos. É com desconforto que o agricultor vê passar carros-pipa para molhar as estradas de terra por onde passavam os caminhões do consórcio. Foi uma exigência dos próprios moradores do povoado, que estavam cansados de "comer" poeira no tempo de movimento de carros. Agora, a falta de água é nas plantações."

A SEGUNDA NOTÍCIA
Cartografia de les migracions professionals
Aeroporto de Barcelona
O jornal l'Economic trazia na sua parte de Economia: "O desemprego, a falta de perspectivas e a precariedade das condições laborais levam muitos profissionais, sobretudo os mais jovens, a procurar trabalho no estrangeiro. As demandas principais vêm da Alemanha e dos países nórdicos, onde necessitan de engenheiros e enfermeiras...pelo menos 60% dos arquitetos não conseguem trabalho...engenheiros industriais, de telecomunicações e informáticos também estão migrando..." 
Os principais destinos dos profissionais europeus:

Informáticos: Suécia
Engenheiro industriais: Alemanha
Fisioterapeutas: França
Telecomunicações: Alemanha
Enfermeiros: França
Arquitetos: América Latina

AS DUAS CARAS DA MESMA MOEDA 
As pessoas migram de acordo com a ordem do mercado e pelas necessidades criadas pela sociedade globalizada. Também migram o capital e os seus donos, claro, porém estes últimos migram livremente.
Na União Europeia, enquanto há migrantes que se matam pulando cercas, atravessando o mar em barcos mal feitos e perigosos, os jogadores de futebol estrangeiros juram a Constituição em tempo record.
O Jovem intelectual de um país pobre é o imigrante de um país rico. É assim!
Um paralelismo irritante entre o seu Odair, retirante cearense, que pegou um ônibus clandestino e migrou aos canaviais de São Paulo e Minas Gerais, e o Àlex, arquiteto técnico catalão, que pegou o avião com destino ao Rio de Janeiro em busca de trabalho. O primeiro foi vítima do calote de uma empresa privada, o segundo do calote do Estado.
Assim vamos...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

DÉJÀ VUE


When I was a little girl...escutei muitas vezes que o bom café produzido no Brasil era exportado, que os brasileiros realmente não conheciam o verdadeiro e maravilhoso café plantado no seu país, que o café consumido internamente era uma mistura do resto, do que literalmente sobrava das plantações não vendidas ao exterior. Vivi com este mito muitos anos e cada vez que sentava à mesa antes de ir à escola, pensava, enquanto tomava o meu canecão de café com leite e cuscuz, na injustiça do Governo de tirar o bom café da minha boca e ficava realmente revoltada de viver no país maior produtor mundial de café e ter que me resignar a tomar o "restinho" dos estrangeiros, mesmo sendo considerado o segundo maior mercado consumidor do mundo!
Agora, morando na Espanha, tenho un constante "déjà vue" das minhas idéias infantis sobre o café brasileiro. Por quê?


Porque a Espanha é o maior produtor europeu de alimentos ecológicos e biológicos, de acordo com os dados da Biocultura 2009, porém a maioria da sua produção é destinada ao grandes compradores, que estão situados, basicamente, na Europa Central e Setentrional, onde o consumo (e sobretudo a conscientização deste tipo de consumo) é maior.
A comparação é triste, porém é correta: Um espanhol gasta uma média de 6 €/ano, um suíço 115 €/ano e um alemão gasta 50 €/ano.
A diferença básica entre o café da minha infância e a cesta básica ecológica dos meus quarenta anos é que o Brasil tinha (e continua tendo) um consumo interno elevado, enquanto a Espanha tem um baixo consumo interno.


Enfim, termino e vou saborear um delicioso café genuinamente brasileiro na "cafetería" da esquina.


Recomendo bastante:
http://www.memorialdoimigrante.org.br/
Resumo das Normas de produção da Bio Suisse

domingo, 1 de novembro de 2009

IDENTIDADE NACIONAL?


"A Ibéria tem a forma duma pele de boi." Estrabão
"A Península Ibérica tem a forma duma jangada." Anónimo português in Jangada de Pedra, José Saramago

A Constituição Espanhola define a Espanha como um país plurilingue e com muitos dialetos, declara que «o Espanhol é a língua oficial do Estado» (Art. 3.1) y acrescenta que «As demais línguas espanholas serão também oficiais nas respectivas Comunidades autónomas de acordo com os seus Estatutos» (Art. 3.2).

Para entender esta diversidade linguística, basta ler a história da Península Ibérica e entenderá a origem, a formação e a evolução de todas as línguas atualmente utilizadas, de forma oficial ou não, pela sua população.

De forma oficial ou não? O que significa? Apenas quatro línguas são reconhecidas como oficiais: o Castelhano (língua nacional, oficial em todo o Estado), o Catalão (oficial na Catalunha), o Galego (oficial na Galícia) e o Euskera (oficial em Euskadi). As demais línguas, infelizmente não têm reconhecimento de co-oficiais, porém são utilizadas e respeitadas, inclusive pelo Instituto Cervantes.  As línguas não oficiais, ou dialetos, são diversos, como por exemplo, o Valenciano (em Valencia), o Aragonés, o Asturiano, o Andaluz, o Portugués, o Murciano, o Leonés, o Benasqués, o Canario, o Extremeño, o Baleárico.

Morando na Espanha, lembro-me bastante do tema da redação do meu Vestibular: "As diferenças regionais não excluem a identidade nacional".  Escrevi as linhas daquele tema maravilhoso com alegria, porque era fácil de argumentar, portanto citei, comprovei, utilizei um raciocínio lógico, sem repetições e sem divagações e penso que gostaram da minha dissertação; prova disto: 4º em Direito e 7º geral no Vestibular. Belos tempos aqueles...Imagino este mesmo tema na prova de "Selectividad" (Vestibular) aqui na Espanha; não tenho a certeza de que seria tão fácil, pois de todas as idéias que permeiam nosso pensamento, o  repertório pessoal de cada um depende de tudo o que lemos, vimos e ouvimos, e às vezes este dircurso pode estar meio "contaminado".

A riqueza cultural de uma população que tem a oportunidade de ser bilíngue, é imensa. Ir de um idioma ao outro, através de becos, esquinas e ruas estreitas da mistura idiomática, efeito normal do bilinguismo, é extremamente enriquecedor para quem fala e para quem escuta.  Esta Torre de Babel espanhola com herança íbera, grega, fenícia, árabe, visigoda, romana, etc, tem a base fundamental, a experiência para afrontar o presente, a nova torre construida com o cimento do tempo e com os andaimes da tolerância.

Difícil? Depende do grau de sociabilização da comunidade.

Dando exemplos:

1) Imaginem um carioca ter que ir morar temporariamente em Aracaju, por motivo de trabalho, e os seus filhos adolescentes não conseguirem entender o idioma na sala de aula.
2) Imaginem um mineiro, turista em Porto Alegre, ter que pedir uma cerveja  utilizando mímica.
3) Imaginem uma católica família cearense procurando os horários da missa em Português durante as férias na cidade de São Paulo.

Não é absurdo nem brincadeira, isto ocorre na Espanha.

Fui aprendendo com o passar do tempo, voltando ao famoso tema do meu Vestibular, que as diferenças regionais, às vezes, excluem a identidade nacional; tudo depende de que Nação estamos a falar. No caso da Espanha, há muitas nações dentro da grande Nação e todas elas com as suas respectivas idiossincrasias.


Recomendo bastante:

EL MAPA ESCONDIDO: LAS LENGUAS DE ESPAÑA, de Jesús Burgueño - Departamento de Geografía y Sociología Universitat de Lleida.

domingo, 18 de outubro de 2009

Imigração e Mudanças


De acordo com o Human Development Report 2009, a imigração resurge no mundo inteiro e as Nações Unidas pedem aos países ricos, que não se oponham aos ciclos migratórios de trabalhadores, em crescimento devido à crise económica.
"Os ursos não vieram porque não há gelo, não há gelo porque não há vento, e não há vento porque ofendemos os poderes", um Esquimó (Godfrey Lienhardt, Cap. II, Antropología Social, Fondo de cultura Económica, México, pp 62).

Ecuatorianos, colombianos, marroquinos, romaneses, indianos, ingleses, paquistaneses, chineses,  brasileiros...poderia continuar escrevendo uns trinta minutos sem parar e não conseguiria terminar de enunciar todas as nacionalidades que imigraram à Espanha nas últimas duas décadas. Há quinze anos, quando cheguei à famosa Barcelona das Olimpíadas de 1992, quase não se notava a presença de imigrantes. Atualmente, o metrô é o melhor índice migratório da Espanha; num mesmo vagão podemos escutar vários idiomas, ver diversas formas de indumentária, intuir diferentes modos de vida; a Espanha, antes emigrante, recebe agora os "filhos" ricos e pobres de um mundo globalizado. Já somos quase 10% da população de um país com uns 46 milhões de habitantes (censados) e isto requer modificações, e sobre tal, alguns exemplos:

Participação económica: a Espanha é "portão" europeu para a maioria dos imigrantes dos Estados Partes e dos Estados Associados do Mercosul. Para a sua população, as atuais facilidades de locomoção, de residencia e de trabalho entre os países integrantes do Mercado Comum do Sul não são tão prometedoras quanto a suposta excelente qualidade de vida do "1º mundo". Triste ilusão!
De acordo com Adecco, o perfil do imigrante na Catalunha é de homem Ibero-Americano de 26 a 35 anos, com formação escolar básica e que trabalha no setor industrial. Dentre estes estão os brasileiros advogados, estudantes, prostitutas, músicos, comerciantes, médicos, ladrões, escritores, etc, que de uma maneira legal ou fraudulenta conseguiram o cartão da residencia espanhola (o green card da Espanha).
As mudanças geradas por esta "invasão" estrangeira são nítidas e todas as pessoas que vivem na Espanha há mais de dez anos percebem o cambio, por exemplo a implantação da famosa economia informal (economía sumergida, em Espanhol), base de um vínculo empregatício irregular ou simplesmente a sua não existencia.

- A clase média passou a ter empregadas domésticas a tempo parcial (interina) ou a tempo total (fija), fato reservado à classe alta, devido ao preço da hora de trabalho ou do salário mensal. Antes, uma espanhola não se sujeitava (com raras exceções) a ganhar menos de 1.500 ou 2.000 Ptas. (antigas Pesetas) por hora de trabalho ou menos de umas 80.000 Ptas ao mes (aproximadamente, um salário mínimo). Atualmente, as mulheres imigrantes mantêm as casas espanholas impecavelmente limpas por uns 12 €uros/hora. Uma bagatela, se fazemos uma comparação com os valores de uma passagem de ónibus (1,50€), uma barra de pão (0,60€), um cafezinho (1,60€), um prato feito (12€), etc.


- A feroz concorrencia entre o comércio autóctono e as inúmeras lojas dos recém estabelecidos moradores imigrantes. Na área da alimentação, da confecção e de utensílios para o lar, por exemplo, sou testemunha de nove "fagocitoses" nos últimos 12 meses, e somente no meu bairro! Entro num pequeno mercado ao lado da minha casa e a fruteira comunica-se por mímica com os seus clientes, porque é chinesa e não conhece outro idioma. Vou ao cabeleleiro e ao meu lado estão aplicando um tratamento para cabelo afro. Pelo caminho de volta à casa passo pela frente de tres postos telefónicos (locutorios).

- A quantidade de alunos estrangeiros multiplicou-se por oito num período de dez anos! A minhas filhas, que nasceram na Espanha, vêem diariamente a chegada de um(a) novo(a) coleguinha na sala de aula. Um grupo de vinte e cinco alunos de sete nacionalidades diferentes. O sistema educativo está tentando adequar-se à nova realidade com a ajuda de psicólogos e mestres, porém nada pode conseguir sem a ajuda dos pais.
O tema Educação é crucial para a formação do futuro próximo da Espanha, porque a geração atual, composta por este "caldo cultural", será a classe adulta dentro de pouco. É realmente complicada a missão dos educadores espanhóis, frente aos desafios diários de lidar com alunos novos, com uma herança cultural distinta e às vezes literalmente oposta à sua.


- O tema Religião é, na minha humilde opinião, o mais pontiagudo. Penso que a Espanha é um país absolutamente aberto, adulto e com as condições necessárias para acolher os imigrantes de qualquer religião, porém há focos (poucos) de intolerancia, o que gera a formação de guetos. O Governo Espanhol revisa a Lei de Liberdade Religiosa para tentar adaptá-la à nova realidade. A Espanha passou de ser o berço da da Santa inquisição e do Nacional Catolicismo, a ter lugares de culto para as diversas religiões dos seus imigrantes.
Não estamos ao nível de Londres, ainda não vemos burkas ou kipás passeando pelas ruas, mas chegaremos lá!

- Outro grande cambio que notei desde que cheguei à Espanha: aumentou a criminalidade. Normalíssimo, se verificamos um incremento populacional de 10%, porém gostaria de frisar a "importação" de crimes e delitos, que antes não havia na terra espanhola, como por exemplo, o sequestro express.
A ANISTIA INTERNACIONAL acaba de publicar uma análise e as recomendações ao novo projeto de Lei Organica sobre a reforma da atual "Ley de Extranjería", que vale a pena ler.
Sinto-me tão segura como sempre! É óbvio, que não havia tantos roubos nas "Ramblas" de Barcelona, mas isto é o fruto de uma boa parte dos famosos 10%, que não encontram trabalho e preferem delinquir a sobreviver com a ajuda de ONG's ou do próprio Governo.

Recomendo bastante:
Sefarad, de Antonio Muñoz Molina
Kadosh, de Amos Gitai
A viagem do elefante, de José Saramago
As veias abertas da América Latina, de Eduardo Galeano

Imagem fósforo de Creative Commons